Fim de ano, fim de festas. Hora de prestar contas. E brindar o novo ano!

Mal abriu os olhos, com extrema dificuldade devido à bebedeira da noite passada, e já se sentia com um vazio paralisante que a atormentava há alguns dias.

Inevitavelmente, sentiu-se só, mesmo com vozes anunciando que sua família estava a poucos metros de distância, preparando o almoço de Natal no cômodo ao lado.

"O que eu tô fazendo com a minha vida?" arriscou-se a pensar, aceitando a provocação que a vida faz a todos nós na semana mais estranha do ano, que separa o Natal do ano novo.

Sem ter uma resposta positiva, decide tomar um banho. Respira profundamente diversas vezes. Deita-se novamente, e agora permite que pensamentos tristes voltem. Sim, o Natal e o reveillon significam fim, e sempre haverá uma tristeza. Não há como fugir do encerramento de uma etapa, muito mais psicológica do que real, tendo em vista que nada mudará de um dia pro outro, além do numeral que marca o ano.

A saúde vai bem? A família está boa? O lado profissional nem tanto? Os sonhos de infância foram deixados de lado? Perguntou-se, silenciosamente, e acabou sorrindo ao lembrar de boas histórias que foram bem vividas por ela ao longo dos 12 meses anteriores. Uma lágrima caiu ao lembrar-se de um amor que não rolou; uma raiva antes contida voltou à tona ao reviver mentalmente um fracasso profissional. E voltou a sorrir lembrando do sobrinho que acabara de nascer. Deu vontade de se juntar à familia e saborear a ceia. Antes, fechou os olhos, agradeceu pelos momentos incríveis, felizes ou tristes, pelos erros e acertos, pela saúde e paz, e todos os pequenos detalhes que fizeram daquele ano uma aventura pra lá de divertida.

Após alguns minutos de retrospectiva mental, um alívio foi chegando devagar. 12 meses, 365 dias, 1 ano. Quanta coisa vivida que precisava ser colocada em ordem.

De repente, uma vibração do celular avisa que uma mensagem acaba de chegar. Um desejo de feliz ano novo de um possível novo amor. Sorriu mordendo os dentes. Esse novo ano promete!

Colocou uma bonita roupa e foi se juntar aos parentes queridos. A rápida tristeza já estava ficando para trás. E uma taça de vinho, agora em sua mão, era a celebração da vida que está sempre apenas começando.

A vida faz aniversário e temos que pagar a conta. Afinal, as festas custam caro, mas certamente nós conseguiremos pagar o preço.


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